Tuesday, May 16, 2006
Sacrifício
A perda de contato é o estímulo para a comunicação, para a revinculação, e são os atos violentos/sacrificiais que restabelece os vínculos.
As vítimas do sacrifício possuem vínculos com a sociedade, porém fracos, alguém que não vá fazer tanta falta, um guerreiro faria falta, uma virgem não; vemos isso quando mendigos são assassinados, eles são as vítimas que não fazem falta.
As “mortes televisivas” não chocam tanto quanto ver alguém morto ao vivo, é muito mais fácil assistir do que presenciar, assim como citado no princípio deste estudo, o indivíduo perde a consciência corporal, usa apenas os sentidos da visão e audição, os sentidos chamados racionais, sua capacidade de percepção está afetada, assim não consegue compreender em sua totalidade a dimensão da morte, porém seu anseio está suprido.
Segundo Malena Contrera o homem não é por natureza bom, sua essência não é boa e sim má, o individualismo sempre prevaleceu, assim como em todos os animais, a raça humana controla seu lado nebuloso e age em sociedade, mas não é possível conter-se o tempo todo, aí está outra função dos espetáculos de violência que o homem quer ver: ser uma válvula de escape.
As vítimas do sacrifício possuem vínculos com a sociedade, porém fracos, alguém que não vá fazer tanta falta, um guerreiro faria falta, uma virgem não; vemos isso quando mendigos são assassinados, eles são as vítimas que não fazem falta.
As “mortes televisivas” não chocam tanto quanto ver alguém morto ao vivo, é muito mais fácil assistir do que presenciar, assim como citado no princípio deste estudo, o indivíduo perde a consciência corporal, usa apenas os sentidos da visão e audição, os sentidos chamados racionais, sua capacidade de percepção está afetada, assim não consegue compreender em sua totalidade a dimensão da morte, porém seu anseio está suprido.
Segundo Malena Contrera o homem não é por natureza bom, sua essência não é boa e sim má, o individualismo sempre prevaleceu, assim como em todos os animais, a raça humana controla seu lado nebuloso e age em sociedade, mas não é possível conter-se o tempo todo, aí está outra função dos espetáculos de violência que o homem quer ver: ser uma válvula de escape.
Thursday, May 04, 2006
Perdendo Vínculos
O seguinte texto mostra a principal razão cultural da violência na mídia
Perdendo Vínculos
"...se nós queremos participar dessa sociedade temos de nos ligar, fazer o mesmo que todo mundo faz. Não temos que perder somente os sentidos da visão e da audição, mas temos que perder a totalidade do nosso corpo, se quisermos participar dessa sociedade."
"...se nós queremos participar dessa sociedade temos de nos ligar, fazer o mesmo que todo mundo faz. Não temos que perder somente os sentidos da visão e da audição, mas temos que perder a totalidade do nosso corpo, se quisermos participar dessa sociedade."
Kamper
Ao perdermos a consciência corporal passamos pelas coisas sem sermos capazes de nos conectarmos a elas. Então, se nossa percepção está comprometida, comprometendo a capacidade de criar vínculos.
Sem o estabelecimento de vínculos, o sentido da comunicação em está comprometido. Buscamos por mais informações porque sentimos que algo falta e confundimos, hoje, superabundância e saturação informativa com comunicação.
Dessa maneira, a violência pode ser considerada, também, uma decorrência da dimensão da crise que vivemos em relação a esses processos de interação – também, não unicamente.
“...os discursos sobre insegurança individual ou coletiva confundem as causas, os acontecimentos e terminam na constatação aflitiva de uma sociedade que se degrada. A sociedade abre os braços para assinalar uma impotência resignada, grita de cólera denunciando confusamente o vandalismo, o terrorismo, a perda do controle da ordem social. “
Henri-Pierre Jeudy
A insegurança permanente em todos os domínios e em todos os lugares; é a morte prematura de uma sociedade que aceita sua decomposição. Nessa busca do ser humano por respostas, artefatos religiosos e míticos são examinados com o objetivo de achar uma explicação ou uma segurança, um reconforto.
Ao perdermos a consciência corporal passamos pelas coisas sem sermos capazes de nos conectarmos a elas. Então, se nossa percepção está comprometida, comprometendo a capacidade de criar vínculos.
Sem o estabelecimento de vínculos, o sentido da comunicação em está comprometido. Buscamos por mais informações porque sentimos que algo falta e confundimos, hoje, superabundância e saturação informativa com comunicação.
Dessa maneira, a violência pode ser considerada, também, uma decorrência da dimensão da crise que vivemos em relação a esses processos de interação – também, não unicamente.
“...os discursos sobre insegurança individual ou coletiva confundem as causas, os acontecimentos e terminam na constatação aflitiva de uma sociedade que se degrada. A sociedade abre os braços para assinalar uma impotência resignada, grita de cólera denunciando confusamente o vandalismo, o terrorismo, a perda do controle da ordem social. “
Henri-Pierre Jeudy
A insegurança permanente em todos os domínios e em todos os lugares; é a morte prematura de uma sociedade que aceita sua decomposição. Nessa busca do ser humano por respostas, artefatos religiosos e míticos são examinados com o objetivo de achar uma explicação ou uma segurança, um reconforto.
Tuesday, May 02, 2006
Deus Pan
DEUS PAN
Seu nome, Pã, que significa “tudo”, lhe foi dado pelos deuses, não somente porque todos se assemelhavam a ele, em uma certa medida, por sua avidez, mas também por que ele encarna uma tendência própria de todo o Universo. Ele seria o deus de Tudo, ou o Tudo de Deus ou o Tudo da vida. Ele deu seu nome à palavra pânico, esse temor que se espalha em toda a natureza e em todo ser, ao sentir a presença desse deus que perturba o espírito e enlouquece os sentidos (CHEVALIER e GHEERBRANT, 1991 : 677).
O arquétipo do deus Pan está diretamente ligado com o medo de perder o controle, esse mito continua vivo e emergente no atual cenário midiático, sob um aspecto de sombra cultural.
O termo sombra cultural dá-se como nos estudos de C.G. Jung, que afirma existir incrustado no indivíduo os mais íntimos desejos e os mais tenebrosos medos da sociedade, segundo ele, Pan é o deus do terror que habita cada alma humana.
Malena Segura Contrera afirma que o Jornalismo tem deixado claro sua predileção por temas catastróficos, os quais podemos chamar de “escolhas de fim de mundo”, temas com motivos míticos que envolvem a figura de Pan: catástrofes físicas, acidentes, mortes trágicas, violências, tudo que envolve perda de controle.
A decomposição que Henri-Pierre Jeudy acena é a morte anunciada pelos meios de comunicação da própria sociedade, meios que falham em alimentar o corpo social, uma decomposição, portanto, dos mediadores, que também não deixa de nutrir a irrupção da violência:
“A relação entre a violência, na sua forma coletiva, e os fenômenos do pânico funda-se assim na existência virtual desta lógica explosiva, sempre pronta a instalar-se desde que os poderes instituídos sejam ameaçados”.
Henri-Pierre Jeudy
O pânico revela aos sistemas sociais seu poder “instituído”, um poder superior ao dos tais sistemas que estão perdendo suas características primordiais, comunicativa e simbólica.Contemporaneamente vivemos apenas a face sombria do deus Pan, que é tudo, cega tudo, cria uma ilusão de segurança e depois a tira e, após a aterradora descoberta, estimula o instinto de sobrevivência e individualidade humana.
Seu nome, Pã, que significa “tudo”, lhe foi dado pelos deuses, não somente porque todos se assemelhavam a ele, em uma certa medida, por sua avidez, mas também por que ele encarna uma tendência própria de todo o Universo. Ele seria o deus de Tudo, ou o Tudo de Deus ou o Tudo da vida. Ele deu seu nome à palavra pânico, esse temor que se espalha em toda a natureza e em todo ser, ao sentir a presença desse deus que perturba o espírito e enlouquece os sentidos (CHEVALIER e GHEERBRANT, 1991 : 677).
O arquétipo do deus Pan está diretamente ligado com o medo de perder o controle, esse mito continua vivo e emergente no atual cenário midiático, sob um aspecto de sombra cultural.
O termo sombra cultural dá-se como nos estudos de C.G. Jung, que afirma existir incrustado no indivíduo os mais íntimos desejos e os mais tenebrosos medos da sociedade, segundo ele, Pan é o deus do terror que habita cada alma humana.
Malena Segura Contrera afirma que o Jornalismo tem deixado claro sua predileção por temas catastróficos, os quais podemos chamar de “escolhas de fim de mundo”, temas com motivos míticos que envolvem a figura de Pan: catástrofes físicas, acidentes, mortes trágicas, violências, tudo que envolve perda de controle.
A decomposição que Henri-Pierre Jeudy acena é a morte anunciada pelos meios de comunicação da própria sociedade, meios que falham em alimentar o corpo social, uma decomposição, portanto, dos mediadores, que também não deixa de nutrir a irrupção da violência:
“A relação entre a violência, na sua forma coletiva, e os fenômenos do pânico funda-se assim na existência virtual desta lógica explosiva, sempre pronta a instalar-se desde que os poderes instituídos sejam ameaçados”.
Henri-Pierre Jeudy
O pânico revela aos sistemas sociais seu poder “instituído”, um poder superior ao dos tais sistemas que estão perdendo suas características primordiais, comunicativa e simbólica.Contemporaneamente vivemos apenas a face sombria do deus Pan, que é tudo, cega tudo, cria uma ilusão de segurança e depois a tira e, após a aterradora descoberta, estimula o instinto de sobrevivência e individualidade humana.