Tuesday, June 06, 2006
Violência e Pânico na mídia
Permite-se conclusões sucessivas e variadas sobre o tema, muitos estudos sequer começaram, mas C.G. Jung chocou ao pesquisar um inconsciente coletivo e descobrir que sonhos anti-semitas, sangrentos e que se repetiam em diversas pessoas, rodavam as mentes de povos que mais tarde estariam diretamente envolvidos com a 2ª Guerra Mundial, e isso bem antes do Nazismo.
A demência do Homem começa quando suas catástrofes míticas, com envolvimentos cosmológicos e explicações divinas deixaram de ser a pura verdade, quando uma confissão do homem primitivo já não valia para entender a causa das desgraças.
Pior desgraça é quando o Homem é a causa, os humanos não nascem bons e se perdem, mas sim o contrário, nascemos maus e nos controlamos. Mircea Eliade assevera uma relação entre as ações terrenas e um tipo de preexistência delas, como por exemplo, a cidade de Jerusalém, que já existia, biblicamente falando, em um plano superior, algo como a teoria das idéias de Platão, portanto até os sacrifícios são representações do que os deuses um dia fizeram, o homem primitivo aceitava e refazia os passos dos deuses com tais sacrifícios. Hoje os sacrifícios são feitos pelos meios de comunicação, mas a sociedade não participa, apenas assiste.
O medo de não ter controle nos assola, o pânico de não poder controlar se seu filho estará ou não no meio de um desastre, de não saber se irá sobreviver demonstra o mito do Pan instaurado.
Sobre os meios de comunicação é clara a predisposição por temas catastróficos, queremos saber o que tememos, queremos obter alívio vendo sacrifícios alheios. A sociedade é também fundamentada em símbolos e comunicação, só resta saber se o símbolo do pânico deixará os meios comunicativos em pânico, por tanto usufruírem dele.
O grande problema que encontramos ao estudar a violência nos meios de comunicação é a falta de equilíbrio, não importa se os índices de criminalidade diminuem, os índices de violência continuarão altos nos meios midiáticos, pior ainda é quando tal violência não é explicita e sim simbólica, um pouco menos chocante, mas igualmente grave.
Simbólica?
As mídias de massa preferem os sentidos da distância (visão e audição) em relação aos sentidos da proximidade (olfato, tato, paladar), gerando uma crise de percepção, assim a mídia lesa percepção e consciencia.
Tuesday, May 16, 2006
Sacrifício
As vítimas do sacrifício possuem vínculos com a sociedade, porém fracos, alguém que não vá fazer tanta falta, um guerreiro faria falta, uma virgem não; vemos isso quando mendigos são assassinados, eles são as vítimas que não fazem falta.
As “mortes televisivas” não chocam tanto quanto ver alguém morto ao vivo, é muito mais fácil assistir do que presenciar, assim como citado no princípio deste estudo, o indivíduo perde a consciência corporal, usa apenas os sentidos da visão e audição, os sentidos chamados racionais, sua capacidade de percepção está afetada, assim não consegue compreender em sua totalidade a dimensão da morte, porém seu anseio está suprido.
Segundo Malena Contrera o homem não é por natureza bom, sua essência não é boa e sim má, o individualismo sempre prevaleceu, assim como em todos os animais, a raça humana controla seu lado nebuloso e age em sociedade, mas não é possível conter-se o tempo todo, aí está outra função dos espetáculos de violência que o homem quer ver: ser uma válvula de escape.
Thursday, May 04, 2006
Perdendo Vínculos
"...se nós queremos participar dessa sociedade temos de nos ligar, fazer o mesmo que todo mundo faz. Não temos que perder somente os sentidos da visão e da audição, mas temos que perder a totalidade do nosso corpo, se quisermos participar dessa sociedade."
Ao perdermos a consciência corporal passamos pelas coisas sem sermos capazes de nos conectarmos a elas. Então, se nossa percepção está comprometida, comprometendo a capacidade de criar vínculos.
Sem o estabelecimento de vínculos, o sentido da comunicação em está comprometido. Buscamos por mais informações porque sentimos que algo falta e confundimos, hoje, superabundância e saturação informativa com comunicação.
Dessa maneira, a violência pode ser considerada, também, uma decorrência da dimensão da crise que vivemos em relação a esses processos de interação – também, não unicamente.
“...os discursos sobre insegurança individual ou coletiva confundem as causas, os acontecimentos e terminam na constatação aflitiva de uma sociedade que se degrada. A sociedade abre os braços para assinalar uma impotência resignada, grita de cólera denunciando confusamente o vandalismo, o terrorismo, a perda do controle da ordem social. “
Henri-Pierre Jeudy
A insegurança permanente em todos os domínios e em todos os lugares; é a morte prematura de uma sociedade que aceita sua decomposição. Nessa busca do ser humano por respostas, artefatos religiosos e míticos são examinados com o objetivo de achar uma explicação ou uma segurança, um reconforto.
Tuesday, May 02, 2006
Deus Pan
Seu nome, Pã, que significa “tudo”, lhe foi dado pelos deuses, não somente porque todos se assemelhavam a ele, em uma certa medida, por sua avidez, mas também por que ele encarna uma tendência própria de todo o Universo. Ele seria o deus de Tudo, ou o Tudo de Deus ou o Tudo da vida. Ele deu seu nome à palavra pânico, esse temor que se espalha em toda a natureza e em todo ser, ao sentir a presença desse deus que perturba o espírito e enlouquece os sentidos (CHEVALIER e GHEERBRANT, 1991 : 677).
O arquétipo do deus Pan está diretamente ligado com o medo de perder o controle, esse mito continua vivo e emergente no atual cenário midiático, sob um aspecto de sombra cultural.
O termo sombra cultural dá-se como nos estudos de C.G. Jung, que afirma existir incrustado no indivíduo os mais íntimos desejos e os mais tenebrosos medos da sociedade, segundo ele, Pan é o deus do terror que habita cada alma humana.
Malena Segura Contrera afirma que o Jornalismo tem deixado claro sua predileção por temas catastróficos, os quais podemos chamar de “escolhas de fim de mundo”, temas com motivos míticos que envolvem a figura de Pan: catástrofes físicas, acidentes, mortes trágicas, violências, tudo que envolve perda de controle.
A decomposição que Henri-Pierre Jeudy acena é a morte anunciada pelos meios de comunicação da própria sociedade, meios que falham em alimentar o corpo social, uma decomposição, portanto, dos mediadores, que também não deixa de nutrir a irrupção da violência:
“A relação entre a violência, na sua forma coletiva, e os fenômenos do pânico funda-se assim na existência virtual desta lógica explosiva, sempre pronta a instalar-se desde que os poderes instituídos sejam ameaçados”.
Henri-Pierre Jeudy
O pânico revela aos sistemas sociais seu poder “instituído”, um poder superior ao dos tais sistemas que estão perdendo suas características primordiais, comunicativa e simbólica.Contemporaneamente vivemos apenas a face sombria do deus Pan, que é tudo, cega tudo, cria uma ilusão de segurança e depois a tira e, após a aterradora descoberta, estimula o instinto de sobrevivência e individualidade humana.
Tuesday, March 14, 2006
É de desgraça que o povo gosta?

Os índices de audiência disparam quando as catástrofes estão sendo veiculadas e tais índices aumentam talvez pela necessidade que temos de abrandar desejos repetimos o espetáculo (seria ritual, mas mediado pela eletricidade torna-se impossível) de ver, ouvir, ler, etc. sobre situações violentas, a repetição se dá pelo fato dos meios não proporem uma integração com o individuo para o “ritual – repetição”.
Discutiremos neste Blog as ações da mídia ao tratar assuntos ligados à violência, de que forma o tema é difundido, como as histórias são publicadas e a razão do extremo interesse da público em relação à violência e terror.
O deus Pan, a origem do Pânico.
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Ética e Moral Midiatizadas